segunda-feira, 17 de maio de 2010

Algumas questões para retomarmos no dia 29/05

A mesa-redonda de 08 de maio, “E se já ‘tiver’ rolando”, com a participação de Miriran Debieux Rosa e Ricardo de Castro e Silva, teve o objetivo de oferecer subsídios para o diálogo de adultos familiares, educadores e adolescentes sobre as manifestações da subjetividade juvenil: na oportunidade, o motivo central foi a sexualidade.

A concepção desse evento é de autoria da Comissão de Educação e Cultura, formada por familiares e educadores, e dá seqüência a encontros anteriores em que temáticas correlatas foram debatidas pela comunidade com Maria Rita Kehl, Silvia Borelli, Luciene Togneta, Vicente Gosciola, Teresa Leite, Alda Carlini - amigos e/ou pais da escola.

Produzir sistematicamente reflexões que ajudem a compreender as manifestações juvenis para que se possa realizar a educação da maneira mais eficaz e produtiva possível é o nosso objetivo. Fazer isso junto com os próprios jovens é nossa escolha.

Ao tentar levantar alguns aspectos das manifestações de sexualidade nos jovens, nosso problema começa pela definição já quase consensual na sociedade de que aos 12 ou13 anos as pessoas já são jovens – ou pelo menos se sentem e se comportam como tal. Aos olhos de adultos desavisados isso significaria uma precocidade.
Pois bem, isso é um aspecto: teens muito tenros já estão às voltas com o sexo. Mas, sexualidade e sexo são a mesma coisa?

Lembro de que entre os gregos também a sexualidade envolvia as relações, inclusive de efebos com filósofos e pedagogos. Entretanto, o sexo era contido. Uma ética da boa medida, da contenção, da dikê era o que colocava um limite entre as coisas. A consumação estava no campo do desequilíbrio, do excesso, da desrazão, da hibris.
Já a moral cristã cuidou de condenar tanto a sexualidade quanto o sexo. Deu no que deu. O reprimido voltou como tormento. Hoje as notícias oferecem fartamente o que foi gerado, no interior da própria igreja, com a demonização da potência inocultável, incontível do erótico.

Lutamos, décadas atrás, contra os tabus sexuais com todas as nossas forças. Hoje, nos deparamos com algo que inquieta: sem tabus, sem interdições e às vezes sem sexualidade, o sexo tem um status banal. Uma adolescência que o experimenta nessa condição, não o toma como senha para a entrada no mundo adulto, para o amadurecimento, não o tem como ritual de transgressão, a não ser que apele para o excesso – quantitativamente falando: não bastaria beijar, ficar, transar com quem eu gosto, seria preciso beijar, ficar, transar com muitos. Às vezes, ao mesmo tempo.

Mas, ainda assim, que efeito teria o excesso se ninguém ficasse sabendo? Então, mais importante que praticá-lo nessas condições é espetacularizar o episódio. Fotografar, filmar e colocar as imagens à disposição da minha comunidade presencial ou virtual. Relatar ao maior número possível de conhecidos, etc.

Desse jeito, quase não teria diferença entre sexo e qualquer objeto de consumo. Seria isso resultado de uma humanidade desesperançada? Que papel têm as tecnologias de comunicação na afirmação dessa nova ética? A ausência de “freios morais” para a manifestação de sexualidade é que faz com que seja dessa forma? Como interpretar esse fenômeno? Essas são algumas questões postas para as nossas reflexões.

No dia 29 de maio teremos o desdobramento dessa iniciativa, quando dialogaremos com diretora e roteirista do filme As melhores coisas do mundo. Filme que tematiza a adolescência de uma maneira cuidadosa e sensível. Ao final da mesa-redonda, exibimos um pequeno trecho do making of dessa realização como estratégia de sensibilização para que todos assistam a ele e compareçam ao próximo encontro.

Silvio Barini Pinto
Diretor do Colégio São Domingos

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