sexta-feira, 28 de maio de 2010

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Comissão de Educação e Cultura

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Algumas questões para retomarmos no dia 29/05

A mesa-redonda de 08 de maio, “E se já ‘tiver’ rolando”, com a participação de Miriran Debieux Rosa e Ricardo de Castro e Silva, teve o objetivo de oferecer subsídios para o diálogo de adultos familiares, educadores e adolescentes sobre as manifestações da subjetividade juvenil: na oportunidade, o motivo central foi a sexualidade.

A concepção desse evento é de autoria da Comissão de Educação e Cultura, formada por familiares e educadores, e dá seqüência a encontros anteriores em que temáticas correlatas foram debatidas pela comunidade com Maria Rita Kehl, Silvia Borelli, Luciene Togneta, Vicente Gosciola, Teresa Leite, Alda Carlini - amigos e/ou pais da escola.

Produzir sistematicamente reflexões que ajudem a compreender as manifestações juvenis para que se possa realizar a educação da maneira mais eficaz e produtiva possível é o nosso objetivo. Fazer isso junto com os próprios jovens é nossa escolha.

Ao tentar levantar alguns aspectos das manifestações de sexualidade nos jovens, nosso problema começa pela definição já quase consensual na sociedade de que aos 12 ou13 anos as pessoas já são jovens – ou pelo menos se sentem e se comportam como tal. Aos olhos de adultos desavisados isso significaria uma precocidade.
Pois bem, isso é um aspecto: teens muito tenros já estão às voltas com o sexo. Mas, sexualidade e sexo são a mesma coisa?

Lembro de que entre os gregos também a sexualidade envolvia as relações, inclusive de efebos com filósofos e pedagogos. Entretanto, o sexo era contido. Uma ética da boa medida, da contenção, da dikê era o que colocava um limite entre as coisas. A consumação estava no campo do desequilíbrio, do excesso, da desrazão, da hibris.
Já a moral cristã cuidou de condenar tanto a sexualidade quanto o sexo. Deu no que deu. O reprimido voltou como tormento. Hoje as notícias oferecem fartamente o que foi gerado, no interior da própria igreja, com a demonização da potência inocultável, incontível do erótico.

Lutamos, décadas atrás, contra os tabus sexuais com todas as nossas forças. Hoje, nos deparamos com algo que inquieta: sem tabus, sem interdições e às vezes sem sexualidade, o sexo tem um status banal. Uma adolescência que o experimenta nessa condição, não o toma como senha para a entrada no mundo adulto, para o amadurecimento, não o tem como ritual de transgressão, a não ser que apele para o excesso – quantitativamente falando: não bastaria beijar, ficar, transar com quem eu gosto, seria preciso beijar, ficar, transar com muitos. Às vezes, ao mesmo tempo.

Mas, ainda assim, que efeito teria o excesso se ninguém ficasse sabendo? Então, mais importante que praticá-lo nessas condições é espetacularizar o episódio. Fotografar, filmar e colocar as imagens à disposição da minha comunidade presencial ou virtual. Relatar ao maior número possível de conhecidos, etc.

Desse jeito, quase não teria diferença entre sexo e qualquer objeto de consumo. Seria isso resultado de uma humanidade desesperançada? Que papel têm as tecnologias de comunicação na afirmação dessa nova ética? A ausência de “freios morais” para a manifestação de sexualidade é que faz com que seja dessa forma? Como interpretar esse fenômeno? Essas são algumas questões postas para as nossas reflexões.

No dia 29 de maio teremos o desdobramento dessa iniciativa, quando dialogaremos com diretora e roteirista do filme As melhores coisas do mundo. Filme que tematiza a adolescência de uma maneira cuidadosa e sensível. Ao final da mesa-redonda, exibimos um pequeno trecho do making of dessa realização como estratégia de sensibilização para que todos assistam a ele e compareçam ao próximo encontro.

Silvio Barini Pinto
Diretor do Colégio São Domingos

quarta-feira, 5 de maio de 2010

E SE JÁ “TIVER” ROLANDO? Sexualidades, conversas e produções

Desde sempre, crianças crescem, ficam púberes e se transformam em mulheres/homens com tudo que isso acarreta. Acompanhar adolescentes nas suas descobertas do masculino/feminino requer cuidados e presença, mas também distanciamento – perguntar não sobre o que estão fazendo (agora é hora dos segredos), mas o que pensam sobre tudo o que acontece nessa dimensão. Perguntar para provocar o pensamento é o desafio. É hora de incitá-los a pensar para constituir suas próprias ideias e valores que, muitas vezes, se diferenciam da família e da escola. Provavelmente, sabemos disso tudo, mas não é fácil acompanhar a dinâmica do universo em que se instala a sexualidade hoje, com as violências muitas vezes a ela associadas, com os sistemas de comunicação potencializando ao extremo intercâmbios sobre os quais não há controle possível, com a hiper-exposição que se banaliza nesses meios e os excessos que isso possibilita e representa. Como agir?

No dia 8 de maio, convidamos a todos para conversar sobre esses temas com dois convidados de grande experiência no convívio com adolescentes (veja abaixo um pequeno currículo dos palestrantes).

A partir deste encontro, gostaríamos de "fechar" a reflexão (ou "abri-la?") sugerindo aos participantes que assistam ao filme As melhores coisas do mundo, com direção de Lais Bodanzky e roteiro de Luiz Bolognesi. No dia 29 de maio, das 10 às 12 horas, teremos o privilégio de contar com eles, no Colégio São Domingos, para aprofundarmos alguns temas.

Palestra com:
Mirian Debieux Rosa: Doutora em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1995); Professora Doutora dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação em Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo; Professora Titular da Faculdade de Psicologia da PUC-SP; Coordenadora do Laboratório Psicanálise e Sociedade do Departamento da Psicologia Clínica do IP-USP.

Ricardo de Castro e Silva: Psicólogo com especialização em Psicodrama; Mestre e doutorando em Educação pela UNICAMP; Autor do livro: Orientação Sexual, Possibilidades de Mudança na Escola (Mercado de Letras, 2002).